Julho 02 2012

 

O Bem Comum Não Se Pode Redefinir Por Decreto

Entre Amigos-Opinião/Comentário

15 de julho de 2011


Por Mar Munoz-Visoso

¡¡¡Tatarará!!! Atenção, atenção. Por orden do senhor Governador, se faz saber que a partir de agora as maçãs se chamam laranjas…e as laranjas se seguirão chamando laranjas. ¡¡Tatarará!!

Soa absurdo, verdade? Pois algo parecido aconteceu recentemente no estado de Nova York com a aprovação de uma lei que permite o "matrimônio" entre homossexuais, redefinindo assim, por decreto e sem importar as consequências o significado do matrimônio.

Como na época medieval e de monarquias absolutas, uns poucos "nobres" se arrogaram a tarefa de decidir pelo povo em benefício de uns poucos que, na realidade, têm pouco ou nenhum interesse no matrimônio ou seus fins.

Antecipando o descontentamento do povo, não quiseram submeter a questão para referendum para que o povo, ignorante e desinformado, não possa opinar outra coisa. Isso sim, como os pregoeiros de antanho—alguns ainda os recordarão— nos comunicaram as vozes da nova normativa pública que tem que acatar sem murmurar porque "é a lei". Tarde ou cedo, a realidade surpreenderá estes legisladores, e oxalá que o faça antes que seja tarde.

Através dos séculos e nas diferentes culturas, o matrimônio tem sempre dois fins principais: o bem dos esposos e a procriação (e formação) dos filhos.

A biologia nos diz que homem e mulher são seres iguais porém distintos. Basta observar a fisonomia de macho e fêmea para dar-nos conta de que são seres da mesma espécie porém não são idênticos mas complementares. Em sua natureza está não só a capacidade mas também a chamada para unir-se, para formar uma comunhão harmônica e prazenteira capaz de gerar mais da mesma espécie para assegurar sua continuidade.

Mas somos seres com corpo e espírito. E no matrimônio —ou seja civil ou religioso— a união íntima de esposo e esposa vão mais além da biologia, do puramente físico. Para estabelecer essa comunhão, essa cumplicidade, essa entrega de um ao outro sem reservas, o compromisso tem que ser total e exclusivo. Tem que ter confiança e respeito mútuo, a promessa firme de que estamos nisto juntos e que vamos cuidar um do outro, e de que, se da união nascem filhos, ambos temos a responsabilidade de velar pela segurança, formação, e educação dos filhos.

Os cristãos também crêem que além de um contrato civil o matrimônio é um sacramento, símbolo e expressão da comunhão de amor que é Deus. E que através do sacramento, Deus nos concede a graça para realizar seus fins.

Procurar o bem dos esposos, a procriação e a formação dos filhos são uma grande contribuição ao bem comum. E o bem comum não puede ser redefinido por decreto. Ao longo dos séculos as distintas sociedades entenderam a importância de que o estado ratifique e sustente a instituição matrimonial—a qual precede o estado— para a subsistência, bem estar e progresso da sociedade. Assim o estado busca sempre maneiras de promover a instituição e protegê-la outorgando ao matrimônio certas proteções legais e privilégios que não concede a outro tipo de relações interpessoais.

A família, que surge do contrato matrimonial, é a célula base da sociedade, a primeira sociedade, a primeira escola, a primeira experiência de autoridade e de governo que tem os filhos. O lugar privilegiado onde se cultivam as primeiras virtudes e o caráter. O matrimônio, pois, não existe para sancionar publicamente qualquer tipo de relação afetiva, de amizade ou companherismo entre pessoas do mesmo sexo ou sexo diferente. O matrimônio é uma sociedade com recursos e propósitos muito específicos.

Significa isto que as pessoas com tendências homossexuais não são iguais ou não possuem os mesmos direitos individuais? Por certo que não. Toda pessoa possui direitos humanos fundamentais, mas ninguém tem o direito de redefinir o matrimônio. A lei pode buscar soluções para todas as pessoas em questão de direitos de visita nos hospitais, de custódia, de herança, etc., mas não à custa de corroer o status fundamental do matrimônio.

O matrimônio possui uma importância única para o bem comum porque é a instituição que une a diferença humana mais fundamental: a diferença sexual. O vínculo entre esposo e esposa contribui, como nenhuma outra relação pode fazê-lo, para construir a paz na família, no bairro e entre as nações.

Aqueles que conhecem o matrimônio, de seus altos e baixos, de suas dificuldades e alegrias, de seus êxitos e fracassos, são os que nos precederam no exercício e no compromisso; aqueles que dia a dia tem estado aí, brigando por manter uma promessa que fizeram há muitos anos um ao outro e vendo sempre o bem comum acima da satisfação pessoal. Penso em meus sogros, Manuel e Rafaela, que acabam de cumpletar 50 anos de casados, e em meus pais que andam também na quarta década do matrimônio. Sou testemunha de que nem sempre foi fácil. Meus respeitos também para aquelas mães ou pais que por abandono ou morte do cônjuge tiveram que ficar sós no "compromisso", e se fazer de pais e mães ao mesmo tempo. Todos eles são exemplo que nos guia e rocha firme que nos sustenta.

São Tomás de Aquino disse uma vez que as leis injustas não são verdadeiras leis, e portanto alguém poderia e até deveria rebelar-se contra elas. O que estamos esperando?

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Mar Muñoz Visoso é subdirectora de imprensa e meios de comunicação na Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos

http://www.usccb.org/media/blogs-and-columns/entre-amigos/spanish/entre-amigos-2011-07-espanol.cfm

publicado por emtudosomenteavontadededeus às 21:47

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