Março 16 2011

 

3 de Fevereiro de 2011
Mensagem Pública



O Ponto de Vista Agnóstico dos Milagres

Vejo uma grande Chama que venho a conhecer como o Coração de Deus Pai. Disse: "Eu sou o Eterno Agora. Sou Eu o que desenha a forma de cada floco de neve e permite sua passagem à terra."

"Eu vim para rebater o mal do ponto de vista agnóstico e a defender os milagres. As pessoas que não veem Minha Mão em cada momento presente não entenden Minha Vontade. Para criar Meus milagres, Eu utilizo coisas naturais e criadas, inclusive as pessoas. O agnóstico justifica um bom número de milagres com o raciocínio humano. Então, quando vê um floco de neve, isso é tudo o que vê. Passa por cima da Mão detrás da criação do floco de neve e só vê a explicação científica."

"Assim que compreende, a livre vontade aceita os milagres com simplicidade, ou o nega por meio do raciocínio complexo. Os incrédulos baseiam muitas das graças na razão."

 

 

11 de Fevereiro de 2011
Festa de Nossa Senhora de Lourdes



A Santíssima Virgem disse: "Louvado seja Jesus."

"Faz vários dias que te falei em privado sobre as mudanças radicais que estão por suceder ao outro lado do mundo. Agora me dirijo aos que escutam. As mudanças que vem não se farão esperar ainda assim levará tempo para que terminem e para que os assimile o público em geral. Refiro-Me às séries de desgraças que vão acontecer no Egito."

"Não suponham que em certo sentido os revolucionários tem intenções boas e democráticas em seus corações; mesmo quando a democracia é a resposta, seu objetivo é o islam radical."

"Tem que rezar, meus filhos, pedindo que não triunfe o mal. Eu sempre sou seu refúgio, sou sempre sua Mãe. Temos que estar unidos no Amor Santo para que sejam mais poderosas nossas armas de oração e seus sacrifícios."

 

 

 

publicado por emtudosomenteavontadededeus às 19:38

Março 15 2011

 

5 de Fevereiro de 2011
Mensagem Pública



Vejo uma grande Chama que reconheço como o Coração do Pai. Ele diz: "Eu sou Deus, o Criador do Universo. Vejam o esplendor de Minha Disposição em tua volta." (Estou em adoração.)

"Eu vim para desmentir mais ainda a afirmação de que Meus milagres se podem explicar cientificamente. Assim é como o aborto chegou aos corações e logo ao mundo. Eu formo o ser humano no momento da concepção, corpo e alma. Porém as pessoas tem racionalizado a verdade de Minha criação, fazendo-a objeto de controvérsia. Desta maneira tem feito que a decisão da mãe seja o fator determinante entre a vida ou a morte para Minha nova criação."

"Se Eu não quisesse a formação da nova vida no ventre materno, não estaria ali. Atualmente tem tanta maldade presente ao seu redor –nos meios de comunicação, na moda, na música e na arte, e nas falsas religiões– que tem perdido a reta razão e tem tomado decisões desastrosas com a livre vontade."

"O homem tem que fazer de Minha Divina Vontade o centro de seu coração e de sua alma se deseja seguir o caminho da retidão. Minha Vontade é sempre todo o Amor Santo."

6 de Fevereiro de 2011
Primeiro Domingo do Mês
Oração pela Unidade nas Famílias
(Noite Familiar)


São José está aqui e diz: "Louvado seja Jesus."

"Uma vez mais venho especialmente para motivar as famílias à santidade. Cada membro deve eleger a santidade pessoal em seu coração, rezando em intervalos durante todo o dia. A família inteira deve rezar junta uma vez ao dia, pedindo sempre a graça de chegar a serem mais santos, de estarem mais unidos no Amor Santo. Isto agradaria muitíssimo a meu Filho Adotivo. É o que Ele mesmo deseja por meio da Vontade do Divino Pai."

"Esta noite lhes imponho minha Bênção de Amor Paterno."

 

Fonte:www.amorsanto.com

publicado por emtudosomenteavontadededeus às 12:49

Março 14 2011

 

 

13 de Março de 2011
Mensagem Pública



"Eu sou teu Jesus, nascido Encarnado."

 
"Eu vim para consolar a todos os afetados pela tragédia no Japão. Esta tragédia deveria repercutir em toda a raça humana, pois dentro da cruz está o chamado a Mim, Pai, à vitória sobre o pecado.

 

Dentro de qualquer tragédia está o chamado a reconhecer a total dependência da humanidade em Deus.

 

"Novamente recordo e advirto à humanidade que ela mesma é dona de seu próprio destino."


"Minha Mãe tem advertido uma e outra vez das consequências iminentes das eleições da livre vontade do homem.

 

 É um grave erro ver qualquer desastre como um fenômeno da natureza. As pessoas devem regressar à reta razão, à razão baseada no Amor Santo."

"Não obstante, quando Eu falo aqui ou quando Minha Mãe fala aqui, o chamado do Céu à santidade é imediatamente ignorado na maioria dos casos. Ai daqueles que desalentam o Amor Santo!

 

Seus corações são como a figueira que não dá fruto! Põem em risco a condição humana!"

"Que este desastre chame a cada um de vocês de regresso à mensagem evangélica do Amor Santo. Não recusem Meu chamado à vocês. Ponham-lo em prática. É biblicamente válido."

 

Fonte:www.amorsanto.com

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

publicado por emtudosomenteavontadededeus às 19:21

Março 11 2011

 

 

Poeta e Escritor premiado Frei Benjamin Sanchez Espinosa, com o peseudônimo de Frei Asinello, mora em Jalisco, no México. É o autor deste Poema, que para mim é o mais lindo que já li sobre a Via Sacra de Jesus.

 

 

 

ROMANCEIRO DA VIA DOLOROSA POR FREI ASINELLO

 

I ESTAÇÃO

 

JESUS É CONDENADO A MUERTE

 

 

 

Te condenaram à morte

 

teu silêncio e meu silêncio.

 

As gargantas em tumulto

 

diante do Pretor sonolento,

 

lapidaram com seus gritos

 

o mármore de teu silêncio...

 

Fala, Jesus, que te matam!

 

Embrulhada em teus silêncios

 

a morte vem voando

 

entre grasnidos de corvos.

 

Fala, Senhor, tua palavra,

 

como um furacão de fogo,

 

saia de tua boca e queime

 

o falso dos desonestos!

 

Por que ficas calado

 

se és o Divino Verbo...?”

 

A boca de Deus ficou

 

baldia como o deserto.

 

O condenaram à morte

 

seu silêncio e meu silêncio.

 

Esculpiram as gargantas

 

alaridos ao meu medo.

 

À

sondas

de gritos

 

devia levantar meu peito

 

-dique de amor e diamante-

 

contra a torrente obstinada.

 

Porém fui areia medrosa

 

que não supus defendê-lo.

 

Devia gritar-lhes: “Judeus,

 

eu sou, eu sou o perverso;

 

a mim o fel, os espinhos,

 

a mim a cruz e o flagelo!”,

 

porém anulou minha voz

 

a vil serpente do medo.

 

Pastores, por covardia

 

mataram meu Cordeiro:

foi mais forte que meu amor

o latido dos cães...!

O condenaram à morte

seu silêncio e meu silêncio:

um, silêncio de amor;

outro, silêncio de medo

 

II ESTAÇÃO

 

JESUS SE ABRAÇA COM A CRUZ

 

Acerca-te, Bem-amada,

com os dois braços abertos

A ti corro enamorado

como um ciclone, de desejos.

Tenho sede de teu regaço para morrer em silêncio.

Amada, a pressentida

desde os montes eternos,

a eleita pelo Pai

para o Varão Unigênito,

és morena de sol

e tens olor de cedro,

eu porei sobre teus ombros

o linho em flor de meu corpo

e um manto vermelho, preso

com cinco rosas de fogo:

divino traje de bodas

no abraço supremo!

Vem aos meus braços, Amada,

com os dois braços abertos.

Debaixo da noite do ódio

iremos pelo caminho

relampagueante de gritos

e enraizado de tropeços:

que o amor sempre caminha

por sendas de sofrimento.

Quando estamos no cume

unidos os dois e quietos,

em holocausto enfumaçado,

transverberados de fogo,

uma nova epifania

alumiará terra e céu

Serás chamada senhora

e Mãe de muitos povos.

Virão a ti com seus dons

os reis do mundo inteiro.

Com teus braços estendidos

serás rosa dos ventos

que conduza caminhantes ao meu Coração aberto.

Os que a Mim queiram vir

terão que amar-te primeiro...

Saiamos já, Bem-amada

com os dois braços abertos.

III ESTAÇÃO

DEBAIXO DO PESO DA CRUZ JESUS CAI

 

Dizei-me quem me beijou

com uns lábios de fogo....

Muitas vezes tenho sentido

o ósculo do inverno.

Seus lábios -flocos de neve-

ao cair brancos e lentos

me vestem com a pureza

dos glaciais eternos:

são um batismo de graça

que me renova por dentro.

Ao chegar a primavera

florida pelos outeiros,

a fecundidade desperta em meus entorpecidos seios.

Com suas papoulas vermelhas

como me cobre de beijos,

e cascavéis de espigas

e música de rouxinóis!

Porém nunca conheci

um beijo como este beijo:

me deixou mais branca

que as altas geleiras

e me tornou mais fecunda

que os jardins do céu!

Dizei-me quem me beijou

com uns lábios de fogo.

Que doce, quando o estio

com seus lábios de aguaceiro

deixa o canal de minhas tranças

estrelado com seus beijos,

e minhas areias febris

ungidas de refrigério!

Que triste o beijo de outono,

quando, ao impulso do vento,

beija com suas folhas secas

a prata de meus caminhos

e me deixa na garganta

sabor de morte e de duelo!

Porém nunca conheci

um beijo como este beijo:

tão pleno de suavidades,

de tristeza e de mistério...

Eternos lábios feridos,

divinos lábios de fogo

que, queimando, purificam

e servem de refrigério;

lábios de Cristo, caído

no caminho tremendo,

à Terra, vossa escrava,

assim a tratais, com beijos ... ?

Oh lábios, eu não sou digna,

porém.... beijai-me de novo!

IV ESTAÇÃO

JESUS SE ENCONTRA COM SUA MÃE

 

Cristo, meu Menino,

para onde vais?

Maria, Mar de lágrimas,

quem te dirá?

Pezinhos como lírios

que em meu regaço cresceram,

por que levais o meu menino

por tão ingratas veredas:

tapetes: charcos de sangue,

sandálias: chagas de fogo?

Mãozinhas de jasmins

que em dezembro floresceram,

por que vos afastais crispadas

sobre esse escuro madeiro

e nem podeis despedir-se de mim, perfumando, ao vento?

Cristo,

meu Menino,

para onde vais?

Maria, Mar de lágrimas,

quem te dirá?

Oh cabeça de meu Menino

que dormiu sobre meu peito,

negros espinhos te cingem,

já não dulcíssimos beijos,

dor e pranto te arrulham,

já não

tem cantos maternos!

Oh punhadinho de mirra

que perfumaste meu seio

Por que vais com esses homens

e a mim me deixas gemendo?

Eu, por Ti, dera minha vida,

eles... dão trinta dinheiros!

Cristo,

meu Menino;

para onde vais?

Pobre Maria, Mar de lágrimas,

não te cansas de chorar.

V ESTAÇÃO

O CIRINEU AJUDA JESUS LEVAR A CRUZ

 

Eu serei teu cirineu,

Tu, Jesus, serás o meu.

És do mesmo barro meu,

Deus suado e ferido,

te faltam muitas caídas

para chegar ao patíbulo.

Tua vida pode quebrar-se

à metade do caminho,

e se morres nessa hora

nos deixas sem crucifixo,

sem testamento, sem Mãe,

sem o Refúgio Divino

de teu Coração, aberto

pela lança de Longinos...

Tens que chegar ao altar

morto de dor... e vivo;

se te oprime muito o peso

de teu amor e meus delitos,

eu serei teu cirineu...

Vamos ao Sacrifício!

E depois, quando na vida

se mudam nossos destinos,

quando Tu, ressuscitado

todo embalsamado e limpo

me esperas nos trigais

vivo mas escondido,

e eu cruzo diante de teus olhos

feito tremor e martírio,

levando minha cruz às costas,

de dor esmorecido,

Tu serás o cirineu

que me leva ao Sacrifício.

És, como eu, de barro;

faz-me, como Tu, de trigo;

expreme-me sobre o monte

como maduro racimo;

e os dois, compenetrados,

feitos de farinha e de vinho,

no cume amanecido

seremos um Sacrifício.

VI ESTAÇÃO

VERÔNICA ENXUGA O ROSTO DE JESUS

 

Assim quero que me pintes

sobre meu peito teu rosto.

No presépio, de menino,

eras estrelinha de ouro;

de jovem, entre os lírios,

o mais fragrante de todos,

debaixo dos sóis maduros

parecias o mais formoso;

mas hoje quando todos dizem

que não tens nem decoro,

é quando eu gosto mais:

és o Divino Rosto!

Assim quero que te pintes

em minhas entranhas muito profundo,

com pinceladas de sangue,

de salivas e de pó;

roxo de bofetadas,

empalidecido de opróbrios.

Me enamoras como nunca

porque em teu rosto conheço

todo o amor que me tens

aceso e doloroso.

Meu coração é o lenço

para que pintes teu rosto.

Em Ti quero retratar-me

como um espelho no outro.

Que não me faltem espinhos

nem lágrimas nos olhos,

nem suor, nem bofetadas,

nem manchas de sangue e lodo!

Com tanto que a Ti me pareça,

sofrer me parece pouco.

VII ESTAÇÃO

JESUS CAI PELA SEGUNDA VEZ

 

Quem tirou o Pão dos filhos

para dá-los aos cães?

Vivo Floco de farinha

caído sobre a vereda,

Pedaço de pão cozido

em fornos de sofrimento,

Migalhinha deslizada

desde o regaço paterno,

para cair no pó

desceste dos céus?

Escândalo dos filhos,

Ludíbrio de todo o povo,

assim queres que te comam

os ricos, os opulentos?

És tão pouquinha coisa,

estás tão sujo e tão feio

que nem o filho mais humilde

nem o mendigo mais faminto

se dignariam inclinar-se

por recolher-te do solo.

Quem tirou o Pão dos filhos

para dá-lo aos cães?

Eu bendigo tua caída

que infunde atrevimento.

Com lágrimas e tremores

de ternura a Ti me acerco.

Eu sou o pobre cachorrinho

perfurado de fome e de medo.

Se não tivesse caído,

como chuva, em meu deserto,

cheio de angústia e miséria

Eu morreria sem remédio.

Estavas, oh Deus, tão alto

e eu tão vil e pequeno!

Debaixo de teu traje de pó

escondido, te apresento

tão cheio de resplendores

como na glória do céu.

Se os homens não te querem,

vem, e descansa em meu peito.

Migalha de pão caído

para a fome dos cães:

o amor que me tiveste

te pôs em tais extremos!

VIII ESTAÇÃO

JESUS CONSOLA ÀS PIEDOSAS MULHERES.

 

Não quero chorar por Ti:

quero chorar meus pecados.

As almas vem seguindo

a púrpura de teus passos;

todas querem consolar-te

e todos vem chorando!

eu, Senhor, mesmo que te vejo

todo de Amor chagado,

não quero chorar por Ti,

oh Divino Enamorado.

Eu sei que por fora sofres,

mas, por dentro, estás gozando,

porque o Amor, quando fere,

é como aroma de bálsamo

que quanto mais nos traspassa

é mais suave e delicado.

As feridas de amor tem sabor

de mel e cheiram a nardo.

Por que então, sem querê-lo

vão minhas lágrimas brotando?

Senhor, não choro por Ti:

mas choro por meus pecados!

Não choro por ver-te ferido,

choro por haver-te esquecido.

Deixa-me chorar, Senhor,

para sempre, sem descanso.

Deixa-me chorar, Senhor,

-chuva de pétalas brancas-

de meus olhos doloridos

caiam as gotas de pranto,

e lavem com sua brancura

o negro de meus pecados.

Teu amor e eu, frente a frente,

a sós, os dois estamos;

e meus dois olhos te dizem

o que não pode meu lábio.

Veja quebrado a teus pés

meu coração de alabastro,

tão duro para querer-te,

para esquecer-te, tão brando!

vejo como, da ferida

mana o olor de meus nardos...

Teu amor e eu, frente a frente,

a sós, os dois estamos.

Os dois, com a alma rota;

os dois, transidos de bálsamo.

E teus dois olhos me dizem:

"Muito se te há perdoado"!

 

 

I

X ESTAÇÃO

JESUS CAI PELA TERCEIRA VEZ

 

Triplicaste tua caída

entre soluços e lágrimas.

A magnólia de tua veste

jaz em terra, despojada

e o caudal de teus cabelos

-fonte de águas limpas-

sobre as pedras desnudas

dormindo, se esparrama ...

Que desfalecer do corpo,

que desalento na alma!

Quanta sede de abandonar-te

e não prosseguir a marcha,

suspender eternamente

o ritmo das pisadas!

Por que um grito me sobe

temeroso à garganta

um grito para gritar-te:

"Jesus levanta-te e anda"?

Porque outras muitas caídas,

tuas três caídas retratam:

o espanto dos meninos

caídos de madrugada

o colapso dos jóvens

desde os cumes nevados,

as caídas dos velhos

tão negras e tão amargas....

Porque mil negras pupilas

ansiosas em Ti se cravam

para ver se ficas caído

ou ver se te levantas

por isso minha voz te grita:

"Jesus, levanta-te e anda".

Levanta-te mesmo que o cansaço

se derrame em tuas entranhas

Levanta-te, mesmo que o suplício

com vivos incêndios te aguarda.

Levanta-te, que a meta

já se vê muito perto"

Ensine aos homens

essa ciência necessária

de ressurgir varonis

quando no caminho caiam.

Se Tu ficas caído

derrubas nossa esperança.

Somos flores dos campos

que até um sopro desenraíza,

e é tão fácil que na vida

se fique caída a alma,

quando há sentido o abraço

lamacento dos charcos

que oferecem lótus de ouro

e víboras aninhadas!

E é tão duro levantar-se

para prosseguir a marcha

quando nas veias há frio

e anoitece nas entranhas....

Jesus, pelos pecadores

minha voz te grita angustiada,

por nós pecadores,

Jesus, levanta-te e anda!

DÉCIMA ESTAÇÃO

JESUS É DESNUDADO E EMBEBIDO COM FEL E VINAGRE.

 

Assim, desnudo,

meu Deus,

que pena me dá olhar-te,

escultura, de vergonha

cinzelado em neve e sangue!

Tens todo o desamparo

de nossos Primeiros Pais,

ao esconderem-se chorosos

e desnudos atrás das árvores

com o sabor do pecado

amargando-lhes as goelas.

Também há entre teus lábios sabor de fel e vinagre:

amargura de pecados que, sem bebê-lo, provaste.

As flechas dos olhos e dos risos irreverentes

sobre teu corpo desnudo voando vão cravar-se.

Oh se pudesses correr, como um menino,

até tua Mãe, e esconder-te entre seus braços,

e em seu regaço aninhar-te!

E onde estarão agora aqueles

panos limpos

da luminosa noite;

a

onde os lírios do vale

tecem túnicas brancas

sem rugas e sem teares;

onde estão os corderinhos

vestidos de lã suave

que te veem a Ti desnudo

e não correm a abrigar-te?

Porém,

vistes

bem,

que importa se os soldados repartem

entre si tuas vestes cheias de suor e sangue?

Tens oh Deus, uma túnica

que ninguém poderá arrancar-te:

a túnica de teu corpo que te tecera tua Mãe

no tear de seu seio com o linho de sua carne.

Dessa veste, nem a morte poderá jamais despojar-te!

Olha, Senhor, a minha alma também desnuda e sangrante:

se jogaram os dados entre o Demônio e a Carne

minha túnica d

e

graça em frenética algazarra,

enquanto o Mundo via minha angústia

sem inalterar-se....

Não me deixaram nem o manto

para cobrir minhas maldades!

e ante os olhos do mundo,

tão cruéis e tão covardes,

ser pecador descoberto

é ser duas vezes culpado.

Como doem os olhares

que em mim vem cravar-se!

Que amargas são estas culpas de cinza e de vinagre!

E como entrarei desnudo em teus festins nupciais?

Se vem o Rei e vê me lançarem à rua....

Quando tu s

ob

es glorioso,

pelos caminhos do ar,

reveste-te com tua veste

de fogo santificante;

reveste-me com a túnica inconsútil de teu sangue.

E assim, vestido de Cristo, cheio de claridades,

enquanto os anjos cantam

o cântico dos cânticos,

irei fundir-me

no regaço oceânico de teu Pai.

 

 

 

DÉCIMA PRIMEIRA ESTAÇÃO

JESUS É CRAVADO NA CRUZ

 

És a Rocha da luz

com entranhas de água nova;

nós somos o barro

amassado com trevas.

Há em teus claros abismos

mananciais de vida eterna;

nós temos sede

em nossas áridas veias.

Nossa sede é infinita,

nossa secura, tremenda;

o ardor dos desertos

em nossas almas, chamas.

Reflexos de loucura,

na mente reverberam

e sobe um grito de fogo

desde as entranhas secas.

Nos íntimos jardins

se requeimou a açucena,

e a rosa enamorada,

de sede, caiu morta.

O ouro doce do trigo

voa ao ar feito faíscas

e as vinhas debaixo de um céu de fogo

crepitam sedentas....

Assim, sem vinho, sem rosas,

sem pão e sem açucenas,

e com este fogo escuro

que se arrastra pelas veias,

que vida pode viver-se?

que morte será mais negra?....

És a Rocha que guarda

Torrentes de vida eterna;

nós somos a sede

coagulada da terra.

Será preciso que o homem,

num instante de demência

fure sem compaixão a nobre Rocha serena..

Se não podemos viver,

se estão nossas almas secas....

Estende teus pés e mãos

em cruz sobre o madeiro

e deixa que nossos golpes

penetrem em tuas artérias.

Já sai escorrendo o sangue

aos canais da terra,

em divina tranfusão

de tuas veias para suas veias.

Já se apagam nossos fogos

nestas águas eternas

já torna a lançar a vida

sua canção nas artérias.

Quando em teus membros exangües

caia a noite suprema,

um amanhecer de lírios

alumiará as pradarias.

E nascerás repetido

nas castas açucenas,

e estarás em cada rosa,

quando as rosas florescerem,

e quando no doce racimo

seu jugo no cálice verta,

ali beberão os homens

sorvendo de teu sangue novo;

e quando o trigo maduro

se triture entre as pedras,

em cada pão falaremos

do sabor de tua presença.

Porque teu sangue corre

por nossos canais de terra;

se eterniza entre os homens

tua invisível permanência:

 

nós em Ti vivemos,

 

Tu vives em nossas veias!

 

DÉCIMA SEGUNDA ESTAÇÃO

 

JESUS MORRE NA CRUZ

 

Pródigo, o das mãos vazias.

 

Aonde veio parar

 

toda tua glória divina,

 

Oh meu Deus, encarcerado

 

num cárcere de argila!

 

Tu que enches os abismos

 

com tua presença infinita

 

cabes entre quatro cravos

 

e uma coroa de espinhos?

 

Deixaste o seio do Pai

 

pelo seio de Maria?

 

Do céu fugiste trazendo

 

toda tua herança divina:

 

a deste aos pecadores

 

e às mulheres perdidas.

 

O suco das romãnzeiras

 

coroou tuas senes limpas

 

com sua loucura de fogo

 

debaixo do sombrio

 

jardim

 

e assim saíste, embriagado,

pela clara manhãzinha,

a desperdiçar teus tesouros

com amor e sem medida.

Tuas mãos foram semeando

sua chuva de rosas lindas

no sulco azul do ar

sobre as terras baldias....

Já estás aí,

com as mãos rôtas

,

na cruz sobre a colina;

que te fica já para dar

de tuas riquezas divinas?

Por ter as mãos r

ô

tas

te ficaram vazias.

Junto a teu Pai,

na luz inacessível vivias;

hoje estás entre trevas

como uma estrela caída

Em teu palácio,

uma multidão de arcanjos te servia;

hoje estás entre mulheres que choram

e homens que gritam.

Antes eras o Ungido,

com bálsamo de alegria;

hoje navegas num mar

de tristeza sem margens.

Disseste que entre os homens

viver era uma delícia;

e não há dor comparável

a tua tremenda agonia....

Pródigo de mãos r

ô

tas...

e és a Sabedoria!

Oh Cisne de Deus que cantas

à morte pressentida,

já vão tuas sete palavras cantando na ladainha ....

Que esperas para que saia de teu coração a vida?

Volte para tua casa, Pródigo, o de mãos feridas!

Em seu palácio teu Pai,

o Grande Ancião de dias,

perscrutando as veredas com suas eternas pupilas,

espera já teu retorno pelas sendas florescidas.

As lâmpadas do Paráclito

ornadas de sempre vivas

para iluminar teus passos

também estão acesas....

Mas, já sei o que esperas

para que volte tua vida,

pelo túnel da morte,

às mansões divinas:

buscas a quem dar

teus cravos e tuas feridas;

e buscas outra cabeça

para por teus espinhos.

Dá-mos, Senhor,

ansiosos, por recebê-los,

esperam meus pés,

minhas mãos e minhas senes doloridas!

ante tua suprema dádiva

está minha fé de joelhos.

Eu subirei, sobre o monte

ao ficar tua cruz vazia,

e dormirei com meus sonhos

sobre teu leito de mirra.

Aí deixarei que irrompam

minhas cascatas dormidas,

para completar em meu corpo

tua paixão interrompida.

Porém já volta,

meu

Deus,

à mansões divinas.

Volta a acender nos lábios

de teu Pai, o sorriso.

Venha desatar as fogueiras

do Paráclito, cativas.

Venha devolver aos céus

sua inextinguível alegria:

se tudo está consumado,

se já tens outra vítima!

DÉCIMA TERCEIRA ESTAÇÃO

JESUS É DESC

IDO DA CRUZ E POSTO NOS BRAÇOS DE SUA MÃE

 

Meu Jesus está sonhando,

pelo caminho

 

dormiu

três vezes o pobrezinho.

Filhinho, dorme, dorme,

 

que nesta noite,

 

não haverá quem te desperte.

 

De manhãzinha, chorando,

 

pelos caminhos do céu,

 

Saiu meu menino a buscar

 

seu rebanho de cordeiros.

 

Todos andavam perdidos

 

entre os barrancos negros....

 

Num bosque de alaridos

 

e braços

tensos, no alto,

entrou meu Menino tremendo

 

de solidão e de medo....

 

As flores eram de sangue,

 

as ramas eram flagelos,

 

as maldições, voavam,

 

como pássaros, ao vento.

 

Era tão largo o caminho,

 

estava o ar tão negro,

 

que meu Menino caiu

 

três vezes na vereda;

 

e quando aos olhos d'água

 

se acercou a beber sedento

 

lhe deram a beber mirra

 

aqueles cruéis algozes!

 

Por fim subiu meu Menino

 

Sobre as ramas de um cedro

 

para ver se das alturas

 

divisava seus cordeiros.

 

Seu sétuplo canto triste

 

rodou pelo Universo.

 

Como um pardalzinho

 

todo púrpura seu peito,

 

ficou meu menino dormindo

 

sobre as ramas do cedro;

 

as nuvens acariciavam

 

com devoção os cabelos.

 

Adormecido o encontraram

 

no caminho do céu,

 

e dormindo, nos meus braços,

 

de noite, me trouxeram

 

Tem em seus pés dois cravos,

 

em suas mãos dois luzeiros

 

e em seu Coração um Sol

 

três vezes santo e aberto.

 

Filhinho, que entre meus braços

 

jazes cansado e desfeito,

 

dorme sem ansiedades

 

por teus perdidos cordeiros

 

Nesta noite de lua

 

os

tem juntado no céu;

pela imensidão azul

 

vagam cândidos, pastando,

 

entre rosas imortais

 

e remansos de luzeiros.

 

Inumeráveis e puros,

 

como os flocos de inverno,

 

de todos os horizontes

 

ascendem no firmamento

 

Quando a luz te desperte

 

já sem dor e sem sonho,

 

oh como haverás de alegrar-te

 

por teus encontrados cordeiros.

 

Filhinho, que entre meus braços

 

jazes desnudo e desfeito,

 

segue dormindo, no berço

 

de meu amor e de meus beijos....

 

Estes beijos são os úItimos

 

mas meu amor é eterno.

 

Segue dormindo em meus braços,

 

mesmo sabendo que teu sonho

 

é espada de dois fios que

 

me traspassa por dentro....

 

Dorme que para velar-te,

 

está minha dor desperta.

 

Meu Jesus está sonhando,

 

pelo caminho

 

dormiu

três vezes o pobrezinho.

Filhinho dorme,

 

dorme, que na alvorada

 

virá a luz divina que te desperte.

 

DÉCIMA QUARTA ESTAÇÃO

 

O CORPO DE JESUS É DEPOSITADO NO SEPULCRO

 

 

Menina que levas ao peito sete punhais cravados,

Mãe que vais a semear

a Deus debaixo das romãzeiras:

já vem os semeadores,

com a semente, chorando;

já trazem o corpo de Cristo

branco sobre o linho branco.

Senhora, eu não queria

nem olhar-te nem olhá-lo

Tu me o entregaste menino

como broto de nardos;

eu devolvo morto

como um racimo pisado.

Traz muita noite nas veias

e muita neve nos lábios.

Se lhe congelou a vida

no Coração quebrantado....

Senhora, eu não queria

nem olhar-te, nem olhá-lo.

Vem e desfolhe a última flor

de teu beijo em seus lábios

e deixa que o semeemos

neste sulco de pranto.

quem sabe se já de manhã

conhecemos o milagre

de que retomem as doces

batidas em seu costado!

Se é um augúrio de espigas

a morte de cada grão,

se está a ressurreição

debaixo da tumba esperando

por que semear aos mortos resultará

tão amargo?

Que dilúvio de silêncio

se vazou sobre os campos....

A solidão, com suas águas,

cobriu os montes mais altos!

Menina que levas ao peito

sete punhais cravados:

debaixo no sepulcro,

deixaste teu coração, esquecido....

Por que floresce o silêncio

como um inaudito cântico?

quem se põe a cantar

quando homens choramos?

Senhora, os mortos cantam,

os mortos estão cantando!

Entre as sombras agitam

o címbalo de suas mãos:

que também para os mortos

chegou o Domingo de Ramos.,

Já vai o Senhor descendo

por caminhos subterrâneos

de todos os cemitérios

sobe um clamor a seu passo

enquanto se impregna de vida

a terra, com seu contato.

Um sopro de primavera

sacode os ossos áridos

e retrocede a Morte

entre as tumbas gritando.

Aonde está tua vitória,

oh morte de dedos pálidos?

Já vão debaixo dos ciprestes

as semprevivas brotando....

Mãezinha que semeaste a Deus

debaixo das romãzeiras:

sobre o arco de tuas lágrimas

tem florescido os cânticos;

amanhã, quando o luzeiro

da aurora beije tuas pálpebras,

a terra dará seu fruto

imortal e perfumado....

Então, cerra teus olhos,

então, abre teus lábios

para que bebas o vinho

do Filho ressuscitado.

 

 

 

publicado por emtudosomenteavontadededeus às 13:35

Março 10 2011

 

 

O silêncio de Deus

 

Conta uma antiga lenda norueguesa acerca de um homem chamado Haakon, encarregado de cuidador de uma capela na qual havia uma cruz muito antiga, na qual muita gente ia para orar com muita devoção a Cristo.

 

Um dia o ermitão Haakon, ajoelhou-se diante da cruz e disse: Senhor, quero padecer por ti. Deixa-me ocupar teu lugar, quero substituí-lo na cruz.

 

O Senhor abriu seus lábios e falou. Suas palavras caíram do alto, sussurrantes e admoestadoras:

 

— Amado filho, concedo teu desejo, mas tem de ser com uma condição.

 

— Qual, Senhor? – perguntou Haakon.

 

— É uma condição difícil? Estou disposto a cumpri-la com tua ajuda, Senhor! – respondeu o velho ermitão.

 

— Escuta: aconteça o que acontecer e vejas o que vejas, terás de permanecer sempre em silêncio.

 

Haakon respondeu: — Sim, eu prometo, Senhor! E foi feita a mudança.

 

Ninguém percebeu a mudança. Ninguém reconheceu o ermitão, pregado na cruz. O Senhor ocupava o lugar de Haakon. E este, por longo tempo, cumpriu o compromisso. A ninguém disse nada.

 

Mas um dia, chegou um rico e ao sair depois de ter orado, esqueceu sua carteira. Haakon viu e calou. Duas horas depois veio um pobre, viu a carteira e ficou com ela. Tampouco disse nada quando um garoto se prostrou diante dele pouco depois, para pedir-lhe sua benção antes de empreender uma longa viagem.

 

Nesse momento o rico voltou em busca de sua carteira. Ao não encontrá-la, pensou que o garoto havia se apropriado dela. O rico se dirigiu ao jovem e disse acusadoramente;

 

— Dá-me a carteira que você me roubou! O jovem, surpreendido, replicou:

 

— Não roubei nada!

 

— Não mintas, devolva imediatamente!

 

— Repito que não peguei nenhuma carteira! – afirmou o garoto. O rico investiu furioso contra ele. Mas, nesse instante, se escutou uma forte voz: Pare!

 

O ricou olhou para cima e viu que a imagem lhe falava. Haakon, que não pode permanecer em silêncio, gritou, defendeu o jovem, repreendeu o rico pela falsa acusação. O rico ficou desanimado e saiu da capela. O jovem saiu também porque tinha pressa para empreender sua viagem.

 

Quando a capela ficou vazia, Cristo se dirigiu ao seu servo e lhe disse: — Saia da Cruz. Não serves para ocupar meu lugar. Não soube guardar silêncio.

 

— Senhor – disse Haakon – Como ia permitir essa injustiça?

 

Mudaram de novo de lugar. Jesus ocupou a cruz de novo e o ermitão ficou ali de pé.

 

O Senhor seguiu falando: — Tu não sabias que ao rico lhe convinha perder a bolsa, pois levava nela o preço da virgindade de uma jovem mulher. O pobre, pelo contrário, tinha necessidade desse dinheiro e fez bem em levá-lo; quanto ao garoto que ia ser espancado, suas feridas tivessem impedido de realizar a viagem que para ele resultaria fatal. Neste momento acaba de partir-se o barco e ele perdeu a vida. Tu não sabias nada. Eu sim. Por isso calo. E o Senhor novamente guardou silêncio.

 

Muitas vezes nos perguntamos: Por que razão Deus não nos contesta...? Por que fica calado, Deus?

 

Muitos de nós gostaríamos que Ele nos respondesse o que desejamos ouvir, mas... Deus não é assim. Deus nos responde ainda que com o silêncio.

 

Devemos aprender a escutá-lo. Seu divino silêncio, são palavras destinadas a convencer-nos de que Ele sabe o que está fazendo.

 

Em seu silêncio nos diz com amor:

"Cala na presença de Deus, e espera paciente que atue; não te enojes por causa dos que prosperam, nem pelos que fazem planos malvados"

 

 

 

publicado por emtudosomenteavontadededeus às 12:02

Março 08 2011

 

 

A Filoteia, a destinatária idealizada da sua Introdução à vida devota (1607), Francisco de Sales destina um convite que poderia parecer, à época, revolucionário.

 

 É o convite a ser completamente de Deus, vivendo em plenitude a presença no mundo e as obrigações do próprio estado. "A minha intenção é a de instruir aqueles que vivem na cidade, no estado conjugal, na corte […]" (Prefácio à Introdução à vida devota).

 

O Documento com que o Papa Leão XIII, mais de dois séculos depois, o proclamará Doutor da Igreja insistirá sobre esse alargamento do chamado à perfeição, à santidade. Ali é escrito: "[a verdadeira piedade] penetrou até o trono do rei, na tenda dos comandantes dos exércitos, no pretório dos juízes, nos escritórios, nos comércios e até nas cabanas dos pastores […]" (Breve Dives in misericordia, 16 de novembro de 1877).

 

 Nascia assim aquele apelo aos leigos, aquele cuidado pela consagração das coisas temporais e pela santificação do cotidiano, sobre as quais insistirão o Concílio Vaticano II e a espiritualidade do nosso tempo.

 

Manifestava-se o ideal de uma humanidade reconciliada, na sintonia entre a ação no mundo e oração, entre condição secular e busca da perfeição, com o auxílio da Graça de Deus que permeia o humano e, sem destruí-lo, purifica-o, elevando-o às alturas divinas.

 

A Teotimo, o cristão adulto, espiritualmente maduro, ao qual endereça alguns anos depois o seu Tratado do amor de Deus (1616), São Francisco de Sales oferece uma lição mais complexa.

 

Essa supõe, ao início, uma precisa visão do ser humano, uma antropologia: a "razão" do homem, precisamente a "alma racional", ali é vista como uma arquitetura harmônica, um templo, articulado em mais espaços, em torno a um centro, que ele chama, juntamente com os grandes místicos, "topo", "ponta" do espírito, ou "fundo" da alma.

 

 É o ponto em que a razão, percorridos todos os seus graus, "fecha os olhos" e a consciência torna-se totalmente unidade com o amor (cf. livro I, cap. XII). Que o amor, na sua dimensão teologal, divina, seja a razão de ser de todas as coisas, em uma escala ascendente que não parece conhecer fraturas e abismos, São Francisco de Sales o resume em uma célebre frase: "O homem é a perfeição do universo; o espírito é a perfeição do homem; o amor é a perfeição do espírito, e a caridade a perfeição do amor" (ibid., livro X, cap. I).

 

 

Em uma época de intenso florescimento místico, o Tratado do amor de Deus é uma verdadeira e própria summa, e ao mesmo tempo uma fascinante obra literária. A sua descrição do itinerário rumo a Deus parte do reconhecimento da "natural inclinação" (ibid., livro I, cap. XVI), inscrita no coração do homem enquanto pecador, a amar a Deus sobre todas as coisas. Segundo o modelo da Sagrada Escritura, São Francisco de Sales fala da união entre Deus e o homem desenvolvendo toda uma série de imagens de relação interpessoal.

 

 O seu Deus é pai e senhor, esposo e amigo, tem características maternas e de zelo, é o sol que mesmo à noite é misteriosa revelação. Um tal Deus atrai a si o homem com vínculos de amor, isto é, de verdadeira liberdade: "porque o amor não tem forçados nem escravos, mas reduz tudo à sua obediência com uma força tão deliciosa que, se nada é tão forte quanto o amor, nada é tão amável quanto a sua força" (ibid., livro I, cap. VI).

 

 Encontramos no tratado do nosso Santo uma meditação profunda sobre a vontade humana e a descrição do seu fluir, passar, morrer, para viver (cf. ibid., livro IX, cap. XIII) no completo abandono não somente à vontade de Deus, mas àquilo que a Ele apraz, ao seu "bon plaisir", ao seu beneplácito (cf. ibid., livro IX, cap. I). No ápice da união com Deus, além dos repentes de êxtase contemplativa, coloca-se aquele refluir de caridade concreta, que atenta para todas as necessidades dos outros e que ele chama de "êxtase da vida e das obras" (ibid., livro VII, cap. VI).

 

Adverte-se bem, lendo o livro sobre o amor de Deus e ainda mais as outras tantas cartas de direção e de amizade espiritual, aquele conhecedor do coração humano que foi São Francisco de Sales. A Santa Giovanna di Chantal escreve: "[…] Eis a regra da nossa obediência que vos escrevo em letras maiúsculas: FAZER TUDO POR AMOR, NADA POR FORÇA - AMAR MAIS A OBEDIÊNCIA QUE TEMER A DESOBEDIÊNCIA.

 

 Deixo-vos o espírito de liberdade, não enquanto aquele que exclui a obediência, porque essa é a liberdade do mundo; mas aquele que exclui a violência, a ânsia e o escrúpulo" (Lettera del 14 ottobre 1604). Não por acaso, na origem de muitas vias da pedagogia e da espiritualidade de nosso tempo, re-encontramos exatamente a marca desse mestre, sem o qual não haveria São João Bosco nem a heroica "pequena via" de Santa Teresa de Lisieux.

 

Queridos irmãos e irmãs, em uma época como a nossa, que busca a liberdade, também com violência e inquietudes, não deve escapar a atualidade deste grande mestre de espiritualidade e de paz, que entrega a seus discípulos o "espírito de liberdade", aquela verdadeira, no cume de um ensinamento fascinante e completo sobre a realidade do amor.

 

São Francisco de Sales é um testemunho exemplar do humanismo cristão; com o seu estilo familiar, com parábolas que têm às vezes o bater das asas da poesia, recorda que o homem traz inscrita no profundo de si a nostalgia de Deus e que somente n'Ele encontra a verdadeira alegria e a sua realização mais plena.

 

Fonte:

www.cancaonova.com.br

publicado por emtudosomenteavontadededeus às 18:26

Março 07 2011

 

 

 

Catequese de Bento XVI sobre São Francisco de Sales

 

Boletim da Sala de Imprensa da Santa Sé (tradução de Leonardo Meira - equipe CN Notícias)

 

Queridos irmãos e irmãs,

 

"Dieu est le Dieu du coeur humain" [Deus é o Deus do coração humano] (Trattato dell’Amore di Dio, I, XV): nessas palavras aparentemente simples, colhemos a marca da espiritualidade de um grande mestre, sobre o qual desejo falar-vos hoje, São Francisco de Sales, Bispo e Doutor da Igreja. Nascido em 1567 em uma região francesa de fronteira, era filho do Senhor de Boisy, antiga e nobre família da Savoia.

 

 Viveu entre dois séculos, o XV e o XVI, trazendo consigo o melhor dos ensinamentos e conquistas culturais do século que findava, reconciliando a herança do humanismo com a inclinação em direção ao absoluto, própria das correntes místicas. A sua formação foi muito acurada; em Paris, fez os estudos superiores, dedicando-se também à teologia, e, na Universidade de Pádua, fez os estudos de jurisprudência, como desejava seu pai, e concluiu-os de modo brilhante, com a láurea em utroque iure em direito canônico e direito civil.

 

Na sua harmoniosa juventude, refletindo sobre o pensamento de Santo Agostinho e São Tomás de Aquino, teve uma crise profunda que o levou a se interrogar sobre a própria salvação eterna e sobre a predestinação de Deus a seu respeito, sofrendo como verdadeiro drama espiritual as principais questões teológicas do seu tempo. Rezava intensamente, mas a dúvida o atormentou de modo tão forte que, por algumas semanas, chegou a ficar quase que completamente sem comer e dormir.

 

No ápice da provação, dirigiu-se à igreja dos Dominicanos, em Paris, abriu o seu coração e rezou assim: "Aconteça o que acontecer, Senhor, tu que tens tudo na tua mão, e cujas vias são justiça e verdade; seja o que for que tu tenhas estabelecido para mim...; tu que és sempre justo juiz e Pai misericordioso, eu te amarei, Senhor [...], te amarei aqui, ó meu Deus, e esperarei sempre na tua misericórdia, e sempre repetirei o teu louvor... Ó, Senhor Jesus, tu serás sempre a minha esperança e a minha salvação na terra dos vivos" (I Proc. Canon., vol I, art 4).

 

 Aos vinte anos, Francisco encontrou a paz na realidade radical e libertadora do amor de Deus: amá-lo sem nunca pedir nada em troca e confiar no amor divino; não questionar mais o que fará Deus comigo: eu o amo simplesmente, independentemente de o quanto me dá ou não me dá. Assim encontrou a paz, e a questão da predestinação – sobre a qual se discutia naquele tempo – resolveu-se, porque ele não buscava mais aquilo que podia ter de Deus; amava-o simplesmente, abandonava-se à Sua bondade. E isso será o segredo da sua vida, que transparecerá na sua obra principal: o Tratado do amor de Deus.

 

Vencendo as resistências do pai, Francisco seguiu o chamado do Senhor e, aos 18 de dezembro de 1593, foi ordenado sacerdote. Em 1602, torna-se Bispo de Genebra, em um período em que a cidade era fortaleza do Calvinismo, tanto que a sede episcopal encontrava-se "exilada" em Annecy.

 

Pastor de uma diocese pobre e atormentada, em uma paisagem montanhosa da qual conhecia bem tanto a dureza quanto a beleza, ele escreve: "[Deus] o encontrei cheio de doçura e suavidade entre as nossas mais altas e ásperas montanhas, onde muitas almas simples o amavam e adoravam em toda a verdade e sinceridade; e veados e camurças corriam de lá para cá entre os gelos assustados para anunciar os seus louvores" (Lettera alla Madre di Chantal, outubro de 1606, em Oeuvres, éd. Mackey, t. XIII, p. 223).

 

E, todavia, o influxo da sua vida e do seu ensinamento sobre a Europa da época e dos séculos sucessivos parece imenso. É apóstolo, pregador, escritor, homem de ação e de oração; comprometido em realizar os ideais do Concílio de Trento; envolvido na controvérsia e no diálogo com os protestantes, experimentando sempre mais, para além do necessário confronto teológico, a eficácia da relação pessoal e da caridade; encarregado de missões diplomáticas em nível europeu, e de tarefas sociais de mediação e reconciliação.

 

Mas, sobretudo, São Francisco de Sales é guia das almas: do encontro com uma jovem mulher, a senhora de Charmoisy, buscará inspiração para escrever um dos livros mais lidos na idade moderna, a Introdução à vida devota; da sua profunda comunhão espiritual com uma personaliza excepcional, Santa Giovanna Francesca di Chantal, nascerá uma nova família religiosa, a Ordem da Visitação, caracterizada – como desejou o santo – por uma consagração total a Deus vivida na simplicidade e humildade, no fazer extraordinariamente bem as coisas extraordinárias: "... desejo que as minhas Filhas – ele escreve – não tenham outro ideal senão aquele de glorificar [Nosso Senhor] com a sua humildade" (Lettera a mons. de Marquemond, junho de 1615).

 

Morreu em 1622, aos 55 anos, após uma existência assinalada pela dureza dos tempos e pela fadiga apostólica.

Aquela de São Francisco de Sales foi uma vida relativamente breve, mas vivida com grande intensidade. Da figura deste Santo, emana uma impressão de rara plenitude, demonstrada na serenidade da sua pesquisa intelectual, mas também na riqueza dos seus afetos, na "doçura" dos seus ensinamentos que tiveram um grande influxo sobre a consciência cristã.

 

Da palavra "humanidade" ele encarnou diversas acepções que, tanto hoje como ontem, esse termo pode assumir: cultura e cortesia, liberdade e ternura, nobreza e solidariedade.

 

Na aparência, tinha algo da majestade da paisagem em que viveu, conservando também a simplicidade e a natureza. As antigas palavras e imagens em que se expressava soam inesperadamente, também aos ouvidos do homem de hoje, como uma língua nativa e familiar.

 

Fonte:

www.cancaonova.com.br

 

 

publicado por emtudosomenteavontadededeus às 17:44

Março 05 2011

 

 

30 de Janeiro de 2011
Mensagem Pública



São José disse: "Louvado seja Jesus."

"No dia de hoje venho para dizer a quem quiser escutar, que tenham cuidado de não confiar demasiado em si mesmos, em seus próprios esforços e em suas próprias opiniões. Um indício de que as personas estão fazendo isso é que não confiam na Divina Vontad de Deus para elas. Esta falta de confiança se infiltra em todas as decisões que toma a alma. Defato, a falta de confiança na Divina Vontad de Deus traz consigo a falta de paz."

"O coração está em conflito e não pode tomar decisões baseadas no Amor Santo. Então todas as virtudes se põem em risco, e o mal não se distingue facilmente."

"Quem depende demasiado de si mesmos eventualmente recebe uma lição de humildade por meio da Misericórdia de Deus que deseja a salvação de cada pessoa."

 

 

 

4 de Fevereiro de 2011
Mensagem Pública



Vejo uma grande Chama que sei que é o Coração de Deus Pai. Disse: "Eu sou o que sou. Sou o Eterno Agora. Compreendam que toda a criação é Minha obra mestra; o céu, a terra, o que há acima e o que há debaixo; eo mar, as montanhas, tudo é um milagre de Minha criação. Desde o menor até o maior, Eu criei tudo para compartilhar com o homem que em si mesmo é Minha criação."

"Não olhem para o mais espectacular mas para o mais simples, e verão Minha obra. Creiam e não me ponham à prova. Descubram Minha Vontad no meio de vocês na siguinte respiração que deem, no floco de neve que Eu dirijo para a terra, no nascer e no pôr do sol. Em toda a criação, em cada momento presente, descubram o milagre de Minha Vontade. Creiam em Mim como Eu creio em vocês."

 

 

 

publicado por emtudosomenteavontadededeus às 18:53

Março 03 2011

 

CU

 

 

 

 

 

 

Peregrinos

 

3 de Janeiro de 2011
Oração:
Pela paz em todos os corações por meio de Amor Santo



Jesus está aqui com Seu Coração exposto. Disse: "Eu sou teu Jesus, nascido Encarnado."

"Meus irmanos e irmãs, quando vim ao mundo, vim como um bebê num presépio. Dem-se conta de que não é que vocês devam ser importantes diante dos olhos do homem, mas que devem ser santos diante dos Olhos de Deus. Não devem buscar aprovações de nenhum ser humano, mas devem buscar serem santos diante dos Olhos de seu Salvador em cada momento presente."

"Esta noite lhes dou Minha Bênção do Amor Divino."

 

24 de Janeiro de 2011

Oração:

Pela paz em todos os corações por meio do Amor Santo

 

(Hoje houve uma marcha a favor dea vida em Washington, D.C.)

 

A Santíssima Virgem está aqui como Maria Refúgio do Amor Santo. Disse: "Louvado seja Jesus."

 

"Queridos filhos, algumas coisas na vida são negociáveis; no entanto, a verdade nunca se pode negociar nem comprometer. A verdade de que a vida começa no momento da concepção é a verdade. Devem estar unidos nesta verdade."

 

"Esta noite lhes dou Minha Bênção do Amor Santo."

 

Fonte: www.amorsanto.com

 

 

publicado por emtudosomenteavontadededeus às 20:25

Março 02 2011

 

28 de Janeiro de 2011
Mensagem Pública



Santo Tomás de Aquino disse: "Louvado seja Jesus."

"Hoje vim para ajudar às almas a verem que Jesus deseja atrair  todas as almas à Seu Sagrado Coração. Para fazê-lo, a alma tem que abraçar o Amor Santo. Não há outra porta de entrada. Este portal de Amor Santo está revestido sempre da verdade, pois o Amor Santo é a verdade."

"Vejamos as formas em que se pode por em risco esta verdade, provocando que a entrada ao Sagrado Coração seja menos acessível."

"O primeiro é qualquer forma de vaidade. A vaidade se preocupa pela forma em que os demais percebam à pessoa, ou seja por sua importância ou sua aparência física. A alma perde de vista o que é verdadeiramente importante, que é como a vê Deus."

"Logo está o amor desenfreado pelo prazer que aparta a alma do caminho da verdade. Isto pode ter demasiada atenção às comodidades, prazeres sexuais ou formas de entretenimento. Tudo isto incide no amor próprio desordenado quando se tomam fora do contexto que Deus deseja."

"Talvez a alma dependa de outras pessoas mais de que depende da Divina Vontade e Previdência de Deus. Isto é um armadilha de caçador e um engano para muitos que vão no caminho à santidade pessoal."

"Se a alma não entrega seu coração à oração, não está buscando seriamente o refúgio do Sagrado Coração e deve examinar com honestidade o que está obstaculizando o caminho."

"A verdade tem que vencer nos corações a fim de que as almas morem no Coração de Jesus."

28 de Janeiro de 2011
Oração:
Por todos os que são acusados falsamente dentro da sociedade, dos governos e dentro dos círculos da Igreja. Para que a verdade revele todas as calúnias.



Jesus está aqui com Seu Coração exposto. Disse: "Eu sou teu Jesus, nascido Encarnado."

"Meus irmãos e irmãs, quem não põe o Amor Santo no centro de seus corações, e no centro de suas vidas, não tomam a sério sua própria salvação, novamente Eu lhes digo: o Amor Santo é os dois grandes mandamentos e a personificação de todos os Dez Mandamentos."

"Esta noite lhes imponho Minha Bênção do Amor Divino."

 

 

 

publicado por emtudosomenteavontadededeus às 19:35

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