Maio 13 2014


 


Amor


 


 


As três virtudes teológicas conduzem-nos ao céu. A Fé e a Esperança ficam na porta. Mas o Amor entra. Tal qual, por assim dizer. O amor não está enquadrado pelo conhecer (sempre imperfeito na terra), mas visa e atinge o objeto amado diretamente, em seu real existir. Por isso o amor de Deus do cristão na terra é da mesma natureza que o amor de Deus do bem-aventurado no céu; só difere a modalidade. Por isso até os nossos simples afetos de amor em concreto: as orações jaculatórias, que por si são apenas pensamentos, valem como atos reais do amor divino, do amor com que Deus ama. Por isso São Paulo salienta os privilégios do amor do cristão que o acompanha até a eternidade (1Cor 13). E é misterioso e inebriante, não só no céu, mas desde agora na terra (1Cor 2,9).


Insondável é a sua altura. Sua profundeza e largura excedem toda compreensão (Ef 3,18). Releia o cântico do amor na Imitação (3,5).


E esse amor divino deve dominar e animar toda a atividade do cristão-filho de Deus. Móvel de toda ação deve ser ele. Por ele, e só por ele, cresce nossa união com Cristo Jesus. Daí a paixão de São Paulo por Cristo. O amor por Jesus "constrange-o" (2Cor 5,14). Cristo morreu por todos a fim de que "não vivam mais para si mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou" (2Cor 5,15).


Seu único desejo: amar a Cristo eternamente (Ef 6,24). Uma expressão mais violenta do mesmo amor encontramos em 1Cor 16,22: "Quem não ama o Senhor Jesus, seja anátema".


 


Jesus por sua vez


 


 


 


Jesus, por sua vez, ama o Pai junto, com e por meio do Espírito Santo. O Pai é a grande devoção de Jesus.


Vive e morre por Ele, literalmente. Ele "vive pelo Pai" (Jo 6,57). Só procura a honra do Pai (Jo 9,30; 11,4).


O amor perfeito consiste em fazer a vontade de Deus. Por isso declarou, ao entrar no mundo (Hb 10,5): "Eis que venho cumprir a tua vontade". Reafirma em Jo 8,29: "Faço o sempre o que é do seu agrado". Sua missão é fazer sempre a vontade de quem o enviou; é seu alimento (Jo 4,34). "Glorifiquei-te sobre a terra (Jo 17,4).


Manifestei teu nome (Jo 17,6). Manifestei teu nome (Jo 17, 6). "Desci do céu para cumprir a vontade de quem me enviou" (Jo 6,38). E ao morrer exclama: "Está consumado; Pai, em tuas mãos entrego minha alma".


Assim também para o cristão. Consiste sua vida na entrega ao Pai: "Eis que venho cumprir a tua vontade". Eis o seu destino novo. Grandiosa tarefa. Nobre destino. Fazer sempre o agrado do Pai, como fez nosso irmão maior.


Não sozinhos, mas juntos com Ele. Ele guia e orienta; é só perguntar. Ela fortifica nossa fraqueza, é só pedir. Está sempre ao nosso lado. Que digo? Está dentro de nós, pronto a nos socorrer com sua graça.


 


Graça de auxílio


 


A graça atual, ou graça de auxílio, é outra invenção celeste, de natureza tão misteriosa como sua irmã gêmea, a graça santificante, e igualmente necessária para os filhos de Deus na terra. Necessária e indispensável. Nosso aparelhamento sobrenatural está perfeito. Mas requer, por assim dizer, a energia elétrica para entrar em ação. A teologia distingue:


 


 


Graça externa


Graça externa são os objetos ou palavras que apontam para Deus: Igreja, ritual do culto, Escritura, sermão, quérigma, tudo quanto foi instituído no intuito da salvação humana. Sua eficiência é precária: sugere a adesão a Deus e à sua mensagem.


 


 


Graça interna


A graça interna é a ação de Deus que atinge diretamente a mente humana, principalmente intelecto e vontade.


É atuação direta, dinâmica de Deus sobre a mente criada, enquanto que a graça externa age pelo processo natural, psicológico, humano. Procura impressionar sentidos e fantasia e, através deles, intelecto e vontade.


Teologia das Realidades Celestes: Padre João Beting CSsR

publicado por emtudosomenteavontadededeus às 20:52
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