Abril 12 2011

 

A Divina Providência

 

Havia dois homens que moravam vizinhos um do outro, e cada um deles tinha uma mulher e muitos filhinhos pequenos, a quem sustentavam só com o trabalho de suas mãos.

 

Um destes homens levava vida amargurada de cuidados dizendo sempre consigo: - se eu morrer ou cair numa cama doente, o que será de minha mulher e meus filhos?

 

Nunca este pensamento o deixava; de dia e de noite lhe roía o coração, como um bicho rói o fruto onde vive escondido.

 

Ora, embora o outro pai não deixasse de ter tido também o mesmo pensamento, não tinha demorado nele, porque, dizia ele: - Deus, que bem conhece todas as criaturas, e as vigia, também há de me vigiar, a minha mulher e os meus filhos.

 

E este vivia tranquilo, ao mesmo tempo que o primeiro nem um instante desfrutava de alegria, nem de tranquilidade em seu interior.

 

Um dia, como trabalhava nos campos, triste e abatido pelos seus medos, viu alguns pássaros que entravam em uns silvados, depois saíam e logo em seguida voltavam outra vez a entrar.

 

Chegando mais perto, viu dois ninhos feitos par a par um com o outro e em cada um muitas aves pequeninas, recém-nascidas da casca, e ainda todas sem penas.

 

Voltando para seu trabalho, levantava de vez em quando os olhos e punha-se a considerar a vida daqueles pássaros, que iam e vinham trazer o sustento dos seus filhinhos.

 

Ora, ao mesmo tempo que uma das mães voltava com o alimento, ei-la que é pêga por um abutre que a leva pelos ares. A pobrezinha esvoaçava toda entre aquelas garras cruéis, lançando muitos gritos agudos, sem que lhe adiantasse nada.

 

O homem que trabalhava, ficou ainda mais perturbado que antes com aquele acontecimento, porque imaginava que com a morte daquela mãe, seus filhinhos fatalmente iriam morrer de fome. Também os meus não têm senão a mim, o que será deles se eu morrer?

 

Ficou muito triste todo dia e nem conseguiu dormir a noite. No dia seguinte voltou para ver os filhotinhos daquela coitada: aquelas horas, pensava, já estão mortos. Embrenhou-se naquela mata e chegando lá viu os filhotinhos bem e cheios de saúde, nenhum tinha passado mal. Maravilhado com o que via, agachou-se para observar.

 

Após um breve intervalo, ouviu nos ares um leve chilro, viu a segunda mãe toda cansada com o alimento que trouxera: entrou e repartiu sem diferença entre todos os filhotinhos. Todos ficaram alimentados e nenhum ficou desamparado por causa da orfandade.

 

E o pai que não confiava na Providência, contou ao outro pai tudo o que vira. Então disse-lhe o outro pai: - Para que sofrer assim sem motivo?Deus nunca abandona seus filhos.

 

Tem o amor divino segredos que não conhecemos. Acreditemos e esperemos, amemos e vamos seguindo serenos por nossa caminho.

 

Se eu morrer primeiro você cuida dos meus, e se você morrer primeiro eu cuido dos seus. E se ambos morrermos antes de estarem em idade que se sustentem, terão por Pai aquele que mora nos Céus.

A. F. de Castilho

 

 

 

publicado por emtudosomenteavontadededeus às 21:20
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